Quando entrei no meu primeiro time, minha principal preocupação era impressionar. Queria mostrar que estava pronto, ser o júnior que chegava antes, saía depois e dizia “sim” para tudo.
Mas, por dentro, a sensação era bem diferente. Eu estava completamente inseguro. Cada reunião parecia um festival de termos e conceitos que eu não entendia. Cada tarefa era um risco de ser exposto como “o cara que não sabe nada”. Minha missão silenciosa era esconder essa insegurança a qualquer custo.
Em vez de pedir ajuda, preferia fingir que entendia. Anotava termos soltos no caderno, na esperança de poder pesquisar depois e não passar vergonha. Tinha medo de levantar a mão e alguém pensar: “Ele não tem o que é preciso para estar aqui.”
O que eu fazia, então, era tentar me encaixar. Copiava o comportamento dos outros, ria das piadas que não entendia, concordava com o que parecia certo, mesmo sem fazer sentido.
Mas, no fundo, eu não estava aprendendo. Eu estava apenas atuando.
Até que um dia…
Uma coordenadora me pediu para explicar um conceito que eu tinha “concordado” na reunião. Eu congelei. A sala inteira me olhou. O silêncio, embora breve, soou como uma eternidade. Meu rosto queimava. E foi naquele momento que percebi: eu não era o júnior esperto. Eu estava apenas tentando evitar ser visto como “burro”, e, por isso, estava deixando de aprender de verdade.
Na semana seguinte, um analista mais experiente me chamou para almoçar. Ele tinha percebido tudo e, com a maior naturalidade, me disse:
“Cara, ninguém aqui espera que você saiba tudo. A gente só espera que você queira aprender.”
Eu fiquei em silêncio, digerindo as palavras. Aquilo foi um soco calmo. Pela primeira vez, entendi que tentar parecer pronto me afastava do verdadeiro crescimento. Quanto mais eu escondia minha ignorância, mais eu me prendia a ela.
Depois daquele almoço, minha postura mudou. Comecei a levantar a mão, a perguntar sem medo e a dizer “não sei” com tranquilidade. Parei de tentar parecer alguém que eu ainda não era e, finalmente, passei a ser o júnior de verdade.
Foi aí que comecei a aprender de verdade. Os feedbacks mudaram. As pessoas começaram a me explicar mais, a me incluir mais, porque agora eu estava sendo genuíno. Não estava ali para impressionar, mas para evoluir.
Hoje, olhando para trás, vejo como fui severo comigo mesmo. Quis pular etapas, queria ser alguém que não era… E quase perdi o melhor da jornada.
Se você está começando agora, aqui vai o atalho que eu gostaria de ter recebido:
👉 Quem tenta parecer pronto o tempo todo, perde a chance de se tornar bom de verdade.
Ninguém espera que você saiba tudo. Mas todo mundo torce para que você esteja disposto a aprender.
É isso que constrói uma carreira. O resto é só atuação mal paga.
——————————————————————————–
Se esse texto conversou com algum pedaço da sua história, então o vídeo abaixo pode te provocar ainda mais. Nele, eu falo sobre a importância de pensar com a própria cabeça, sair do piloto automático e começar a construir uma jornada profissional com mais verdade e intenção. Porque, no fim das contas, crescer não é sobre parecer pronto — é sobre estar disposto a aprender com coragem e consciência.