Hoje eu acordei pensando no quanto a gente passa a vida tentando organizar um quebra-cabeça que não veio com a imagem na caixa.
A gente junta peça por peça, achando que vai formar um castelo… e no meio do caminho percebe que talvez seja uma praia, ou uma estrada, ou algo que nem existe.
E é aí que começa a frustração: quando o que a gente imaginou não bate com o que está se formando.
Mas, talvez, a graça esteja exatamente aí: não em terminar, mas em aprender a gostar da imagem que aparece.
Tem dias em que as peças parecem se encaixar sozinhas. Tem outros em que a gente olha para a mesa e pensa: “Não tem como isso fazer sentido”.
Só que, no fundo, sempre tem.
E quando não tiver, talvez seja o sinal de que é hora de trocar a mesa, de começar outro jogo ou de aceitar que algumas peças não precisam entrar.
A vida adulta é essa mistura de paciência, desapego e coragem.
Paciência para esperar a hora de entender, desapego para deixar pra trás o que não se encaixa, e coragem para começar de novo quantas vezes for preciso.
E se tem uma coisa que eu aprendi é que não dá pra esperar ter todas as peças na mão pra seguir.
A gente avança com o que tem hoje — e amanhã, quando aparecer mais uma peça, a gente encaixa.
No fim, o quadro pode não ser o que a gente sonhou, mas pode ser muito melhor do que estava na caixa.